quinta-feira, maio 12, 2005

O eu e os outros num pequeno instante do dia

Fui abrindo caminho lentamente, entre aquelas pessoas que se movimentavam desordenadamente. Pisei num pedaço de revista com uma mulher em preto e branco olhando de lado e meus olhos passaram pelo pedaço do título "Poderosa Ev", não estava completo, mas dava pra saber queriam dizer poderosa Eva. Levantei a cabeça quando duas pessoas de aparência marginal olharam em minha direção e segui adiante me esquivando quando considerava necessário. Olhando do outro lado da rua aquele camelô maluco parecia agitar suas bugigangas contra os andarilhos que não olhavam para o lado me fez mudar de direção e, meio que me sentia empurrado em direção ao norte. O telefone vibrou atendi e percebi que estava me atrasando, era preciso parar de prestar atenção no meu interior, pois um computador precisava de minha ajuda, quase não pelo dinheiro, mas pela sensação de conforto que a conjugação do verbo ajudar parece provocar em nós. Fui até lá, o problema não era grande e foi facilmente resolvido, mas as pessoas parecem se surpreender sempre com a ligação que tenho com as máquinas.. muitos chamam isso de dom, mas nunca acreditei em dons, apenas no amor pelas coisas de criança que conseguimos preservar quando crescemos.

Apesar de não haver qualquer sinal dela na região, eu sentia sua presença ao meu lado, como se
estivesse condenado a estar sempre acompanhado, sem cobrar ou ser cobrado, sentia uma segurança confortante. Eu poderia ficar parado no cruzamento da getúlio vargas com a cristóvão colombo de olhos fechados pois sabia que nada me aconteceria, porém se desconfiasse de algo e, naquele instante abrisse os olhos, tinha quase certeza de que algo sairia errado. Contudo, há um risco em manter os olhos fechados, o risco de me deixar dominar pelo medo. Abri os olhos olhei primeiro em direção ao céu, mas vi um prédio comercial e uma câmera que vigiava o trânsito e com certeza havia me registrado. Pensei no outro lado da camera, quem estava lá e o que pensava... me dei conta de que esta era uma cena que dificilmente seria descrita como positiva numa dessas estatísticas... por outro lado, havia uma coisa q somente outro ser humano é capaz de perceber e estatística alguma parece ser capaz de medir.

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