sexta-feira, maio 13, 2005

Viagem ao centro do EU

Somos capazes de qualquer coisa, pois, de certa forma, tudo está em nós. Tudo o que vivemos desde nossos primeiros instantes de vida é armazenado em algum lugar dentro de nós.

Porque gostamos mais de determinadas cores do que de outras? ...talvez as cores que nos tragam mais conforto tenham sido aquelas associadas a coisas com as quais costumávamos dormir enquanto crianças... bom, não importa muito dar uma explicação sobre como formamos nosso gosto, mas muitas vezes é importante lembrar que muito disso nos aprisiona nos impedindo de entrar em determinados lugares, experimentar determinados alimentos, ou mesmo conhecer determinadas pessoas. Por outro lado é muito disso que nos protege e nos dá uma certa segurança e bem estar.

Não sei se existe uma tal coisa que se denomine felicidade. Sinto-me bem com várias atitudes que executo com filmes, com vozes, músicas e até com determinadas pessoas, mas nunca teria a humildade de dizer que isso ou aquilo me traria felicidade. Acho até que seria um absurdo tal coisa, dizer que nossa felicidade está naquilo que gostamos de ter ao nosso lado, pra mim, isso seria um tipo de prisão, já que se tirassem de nós aquilo que antes considerávamos que nos trouxesse felicidade, ficaríamos infelizes e assim nossa felicidade dependeria incessantemente de coisas fora de nós.

Imagino que se felicidade existe mesmo, seria algo mais parecido com a liberdade, ou um estado de espírito que independe do que está à nossa volta. Ainda assim desejamos incessantemente o que não temos, ou aquilo que nos faz falta, ou aquilo que sabemos que de alguma forma nunca poderemos ter. Tocar o sol, já desejei tocar o sol quando criança, sem fazer ideia de que muito antes de toca-lo já teria me sublimado ficando em mim só aquilo que realmente me pertenceria, nem meu corpo, nem minhas memórias, apenas um eu que acaba de se descobrir como não-eu.
Se nascemos crescemos e morremos, é porque nossa autodestruição não nos pertence. O que nos pertence parece estar em constante construção à medida que aquilo que não nos pertence simplesmente desaparece.

Mas afinal que é isso? talvez seja a vida, talvez seja a prova de que existem coisas que se pudessem realmente ser explicadas numa sequência causal deixariam de ser verdadeiras no momento dessas explicações. E fossem sendo passadas constantemente de conceitos em conceitos... e à medida que fôssemos encontrando explicações para determinados conceitos, acabávamos construindo novos conceitos para carregar aquilo que ainda não conseguimos explicar adequadamente e, quando extrapolamos determinados limites, caímos no mundo do misticismo onde muitos se perdem... dando significados unicamente subjetivos impossíveis de ser e comunicados aos outros. Talvez algo sem sentido ou algo que possa apenas ser vivenciado, mas nunca proferido a outra pessoa com a mesma significação.

Apesar de tudo ainda há uma necessidade de busca, uma necessidade de completude, que de certa forma nos alimenta de vida, talvez seja mesmo algo material, empírico e causal a explicação de nossa existência. Talvez exista uma lei capaz de dar constância a tudo isso, porém, talvez seja essa uma lei impronunciável, que não podemos impor a ninguém que não a nós mesmos... nem por isso a deixamos de pratica-la em nosso dia a dia. Uma lei para a liberdade.

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